O cinema dadaísta é de difícil digestão. Envolve enigmas simbólicos, metáforas desafiantes e provoca no espectador sempre a dúvida. Faz refletir, pensar sobre os processos acerca do fazer artístico e do próprio conceito da obra cinematográfica.
O cinema passou por um processo de transformação da imagem e dos suportes. E, para abordar o discurso de cinema no Dadaísmo, não devemos esquecer-nos de mencionar uma das principais escolas de cinema: a Avant-Garde francesa.
A Avant-Garde começou nos anos 20 por Louis Delluc e Germane Dulac. A intenção era a libertação da imagem da influência literária, com a concepção de um "cinema puro". Foi um movimento de renovação cinematográfica. Os filmes, abstratos e de crítica à sociedade, procuravam expressar sentimentos e ideias para além da dimensão narrativa do cinema clássico.
Foi a partir desta mudança no cenário francês que surgiu o cinema dadaísta, que se caracterizou pelas pesquisas plásticas feitas pelos artistas na década de 20. Na Alemanha valorizando as composições visuais abstratas em "movimento". E, na França, com um cunho figurativo, interessavam-se pelos movimentos, recursos de montagem, e outros truques visuais para abordar o concreto. Os dadaístas são anarquistas e provocadores em suas abordagens sobre um determinado assunto.
Entre'Acte de René Clair (1924)
O Dadaísmo foi um movimento de curta duração e, devido a isso, teve poucas obras representativas no cinema. A obra prima foi o Entre’Acte (1924) de René Clair. Clair afirmou que pela primeira vez na história a imagem se encontrava absolvida de qualquer necessidade de significar. O arbitrário, o absurdo e o simbólico encontravam-se misturados ao cotidiano de tal forma que qualquer espectador sensível não podia ficar passivo ao assistir o filme. O cinema dadaísta não pede a participação do público, ele exige isso. Entre' Acte significa "intervalo" e foi exatamente entre os atos de uma peça de Francis Picabia (Relâche) com música de Erik Satie que o filme estreou. Não poderia ser mais dadaísta.
Le Retour a la Raison de Man Ray (1923)
Totalmente irracional e sem lógica.
Anemic Cinema de Marcel Duchamp (1926)
Referências:
ótima pesquisa e referências.
ResponderExcluiraté aqui, super inter 1! estou com boa expectativa pelo filme. continuem assim!
eSpectador.